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China ajuda outros países, inclusive o Brasil, no combate ao coronavírus

A compra de 10 milhões de testes rápidos para a detecção de possíveis brasileiros infectados pelo coronavírus, anunciada no sábado (21) pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi fechada junto ao governo da China. Depois de ser acusado internacionalmente de faltar com transparência nos números sobre a pandemia, o país agora ganha protagonismo na luta mundial para combater o vírus, anunciando medidas de ajuda à Europa, Oriente Médio e América do Sul.

De acordo com informações do correspondente internacional Jamil Chade, do portal UOL, a exemplo do envio de técnicos e materiais como fez com o Irã, quando destinou 250 mil máscaras e cinco mil kits de exame ainda no início da crise, ou mesmo da ajuda à Coreia do Sul, o governo chinês destina parte do material que armazena para conter o vírus e o envia à Europa. Até este domingo (22), o Velho Continente já acumula perto de 160 mil casos, quase o dobro do registrado no país asiático, de pouco mais de 81 mil. 

Dias antes, a China enviou à Itália e à Espanha, 1,8 milhão de máscaras, além de 30 toneladas de suprimentos médicos, uma equipe de especialistas e equipamentos, incluindo monitores e respiradores. O bloco europeu ainda deverá receber cerca de de 2 milhões de máscaras cirúrgicas, 200 mil máscaras do tipo N-95 – que protegem da contaminação – e 50 mil testes de detecção, conforme antecipou a presidenta da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen.

A ação guarda as marcas de um país que se recupera depois de ser o epicentro da crise planetária de saúde, mas também revela uma estratégia para recuperar a imagem perante ao mundo, como analisa um dos principais correspondentes internacionais que atua em Genebra. 

“A medida tem sido chamada nos corredores da OMS (Organização Mundial da Saúde) como ‘Diplomacia da Máscara’, uma referência ao uso da produção e exportação do produto – em falta no mundo – como um gesto para ganhar a confiança internacional”, relaciona Chade. 

Aqui no Brasil, a estratégia também surte efeitos, com a confirmação do envio de testes rápidos do coronavírus. Mas nem mesmo essa parceria escapa da tensão provocada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (sem partido-SP), que atribuiu ao governo chinês a responsabilidade pela pandemia do vírus.

Mesmo neste domingo, na já habitual entrevista coletiva, o ministro da Saúde também levantou dúvidas quanto à transparência das informações do país sobre o coronavírus, quase que insinuando que a China poderia ter omitido dados, como ressaltou reportagem do site El País

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a enviar ainda na sexta-feira (20), uma carta à embaixada da China, que chegou às mãos do presidente do país, Xi Jinping. No documento, Lula lembrou que desde 1974 “as relações em diversos campos” são fortalecidas pelo duas nações e “que nada poderá apagar esses laços de amizade e cooperação”. 

“Bolsonaro rebaixa as relações do Brasil com países amigos e se rebaixa como reles bajulador do presidente Donald Trump”, destacou o ex-presidente, também criticando a omissão do Executivo.

Enquanto é atacada pelo filho do presidente da República, a China por outro lado ganha também reconhecimento de parte da comunidade científica, ainda de acordo com Jamil Chade. O correspondente aponta que, especialistas da OMS e uma parcela da classe política internacional, o regime comunista chinês, com suas medidas drásticas de enfrentamento ao coronavírus, “presenteou o planeta com tempo necessário para que o restante dos governos pudessem se preparar”, ainda que a falta de informações do governo para com a sua população seja motivo de questionamento. 

E, apesar dos “esforços” do deputado Bolsonaro, é ainda a rixa com os Estados Unidos que continua a se acirrar. Ao canal estatal de notícias da Venezuela Telesur, o embaixador chinês Li Barong anunciou a chegada de ajuda técnica ao país de Maduro, apesar das sanções do governo Trump. “A China continuará apoiando a Venezuela e a comunidade internacional de acordo com seu escopo e as necessidades dos países”, garantiu o embaixador.

Fonte: RBA

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