STF

Edson Fachin prorroga prazo para conclusão de investigação que pode complicar Ciro Nogueira

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou o pedido da procuradora geral da República, Raquel Dodge, e prorrogou por mais 60 dias as investigações no inquérito que investiga o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressista, na Operação Lava Jato. A decisão é do dia 1º de fevereiro deste ano.

A procuradora Raquel Dodge encaminhou no dia 13 de dezembro de 2018 um pedido ao ministro Edson Facchin, solicitando a prorrogação das investigações contra Ciro Nogueira e os deputados federais Aguinaldo Ribeiro (PP), Arthur Lira (PP) e Eduardo da Fonte (PP).

A investigação tem como objetivo apurar possíveis repasses indevidos de recursos do Grupo Empresarial Queiroz Galvão a congressistas do PP. Consta nos autos da investigação que entre os anos de 2011 e 2012, a nova liderança do PP, formada por Ciro Nogueira, Aguinaldo Ribeiro, Arthur Lira e Eduardo da Fonte teria coordenado a captação e o repasse de propina decorrente do superfaturamento dos contratos firmados com a Petrobras, sob a fiscalização da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, então comandada por Paulo Roberto Costa.

No pedido, Raquel Dodge afirma que a investigação tem como base as declarações dos doleiros Alberto Youssef e Leonardo Meirelles, que fizeram delação premiada e chegaram a ser presos durante a Operação Lava Jato. Ela explicou que “com a ascensão do grupo político de Ciro Nogueira, houve uma tentativa de substituir Alberto Youssef no controle do ‘caixa de propinas’, por Henry Hoyer, operador financeiro que possuía estreitos vínculos com a nova liderança. Contudo, na prática, Henry Hoyer e Alberto Youssef associaram-se no controle dos repasses indevidos”. Teria sido então criada uma caixa de propina, cujo fluxo de saída dependia de um mecanismo de lavagem de dinheiro.

Em delação, Alberto Youssef declarou que “foi desse caixa de propina que o operador Henry Hoyer retirou um valor aproximado de R$ 1.600.000,00 (um milhão e seiscentos mil reais) e o direcionou aos congressistas investigados”.

No pedido para a prorrogação da investigação, a procuradora Raquel Dodge afirmou que é necessário a realização de mais diligências com o objetivo de conseguir mais provas relacionadas aos pagamentos indevidos, e que “dentre as diligências a serem concretizadas está a identificação do assessor parlamentar de Arthur Lira, citado por Alberto Youssef como responsável pelo recebimento dos valores indevidos em nome dos congressistas da bancada do Partido Progressista”.

*Com informações do GP1

Related posts

Homofobia: relator diz que não criminalizar é omissão

Moisés Costta

Decisão do STF deve tirar foro especial de Carlos Bolsonaro, alvo de investigação criminal

Moisés Costta

PGR denuncia ao STF a deputada federal Iracema Portella por peculato e associação criminosa

Moisés Costta